Na ponta dos pés…

8 jan

Exercícios de ponta conferem beleza única ao ballet e são o sonho da maior parte das bailarinas. No entanto, eles aumentam significativamente o risco de lesões, e um preparo adequado é fundamental.

Não existe consenso sobre o momento em que se está pronto para iniciar os exercícios de ponta, e critérios como idade, tempo de treinamento, carga horária e força muscular são frequentemente usados. Porém… muitas bailarinas têm amigas da mesma idade fazendo exercícios de ponta, algumas vezes apenas porque frequentam escolas com critérios flexíveis em relação a essa questão, e pressionam seus professores para iniciá-los; os pais, que acham o exercício bonito, pressionam os diretores das escolas; estes, para não perder os alunos, muitas vezes tentam apressar todo o processo; e os professores sofrem pressões de todos os lados e de todos os tipos para colocar seus alunos na ponta, muitas vezes precocemente.

Em primeiro lugar é preciso entender que o corpo não amadurece da mesma forma e na mesma idade em todas as pessoas. Existe um período conhecido como “estirão do crescimento” que, apesar do nome, está associado a diversas alterações além do crescimento rápido. Nele ocorre o aumento da massa muscular, o desenvolvimento dos órgãos sexuais, o aumento dos pelos pubianos e axilares e, nas mulheres, o início do período menstrual. Observar essas características é importante na hora de se avaliar o quanto uma bailarina está pronta para iniciar o trabalho de ponta, uma vez que depois desse período o corpo se torna muito mais preparado para receber carga extra de treinamento.

Também é importante avaliar o objetivo de cada bailarina: se quiser praticar o ballet como recreação, sem objetivos de grandes rendimentos, a melhor opção é não realizar exercícios de ponta; e se realmente quiser fazer a ponta, é preciso que treine muito. Ela também precisa, obviamente, ter flexibilidade suficiente no pé, sem nunca esquecer que, ao contrario do que muita gente pensa, seu corpo inteiro precisa preparar-se para fazer a ponta, e não apenas o pé.

Ao subir na ponta, a bailarina se equilibra sobre uma área muito menor do que quando está apoiado sobre todo o pé. Se não tiver força, equilíbrio e acima de tudo habilidade técnica suficiente, além de não conseguir fazer os exercícios direito, o esforço para realizá-los será muito maior e isso poderá provocar lesões.

Ao avaliar um jovem bailarino, o médico deve sempre questioná-lo sobre o trabalho de pontas e eventualmente correlacionar alguma queixa a uma lesão específica. Caso perceba esta relação, não é seu papel decidir se o bailarino deve ou não fazer exercícios de ponta, mas sim orientá-lo para se preparar melhor para fazer os exercícios da forma mais saudável possível.

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3 Respostas to “Na ponta dos pés…”

  1. Gabriela 18 de janeiro de 2012 às 22:00 #

    Ótimo blog, gostei bastante!
    Se possível, gostaria que falasse sobre joanetes. O trabalho nas pontas pode desenvolver o joanete? como evitar isso? Desde já, obrigada ;]

Trackbacks/Pingbacks

  1. Dois textos sobre pontas « Dos passos da bailarina - 13 de agosto de 2012

    […] médico ortopedista, trecho de “Na ponta dos pés…”. Para ler o texto completo, aqui. Do mesmo autor, leia também “O bailarino é diferente dos outros atletas”, […]

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