Lesões no quadril

8 jan

O quadril é uma articulação de carga, que suporta todo o peso do corpo. Assim sendo, anatomicamente ele está mais preparado para dar estabilidade do que para gerar movimentos excessivos. Os bailarinos, no entanto, procuram ter uma mobilidade no quadril que vai muito além da capacidade dele, e muitas vezes a própria conformação óssea, que não é semelhante em todo mundo, impede esse excesso de movimento. Além disso, a contenção óssea do quadril é mais frouxa em alguns bailarinos, e nesses casos o treino para ganhar mais mobilidade também pode predispô-los a um quadro maior das instabilidades que provocam lesões.

Entre os bailarinos, as lesões mais frequentemente relacionadas ao quadril são as lesões labrais, as lesões por impacto e o ressalto (a mais comum), além de diversas tendinopatias / tendinites.

As lesões labrais e as lesões por impacto fazem parte de um mesmo espectro de lesões e muitas vezes estão associadas. Decorrem do impacto entre a cabeça femoral (o osso da coxa) e a borda do acetábulo (parte do osso da bacia). São lesões bastante difíceis de tratar principalmente em bailarinos, devido à exigência de movimentos extremos no quadril.

O ressalto caracteriza-se por um estalido audível no quadril com a realização de alguns movimentos, em especial os movimentos a la seconde (abertura lateral do quadril). Podem ser divididos em três tipos: os ressaltos internos, que são os mais frequentes entre os bailarinos devido ao movimento do tendão do Psoas (o músculo que faz a flexão da coxa) sobre a cabeça do fêmur; os ressaltos externos, mais comuns entre os que não praticam o ballet e que decorrem do movimento da facia lata (a musculatura lateral da coxa) sobre o trocânter maior (a proeminência óssea do fêmur); e os ressaltos intraarticulares, associados a lesões como a de labrum ou à presença de um fragmento de cartilagem intraarticular solto.

Esses ressaltos, que eventualmente podem ser reproduzidos propositalmente pelo bailarino, na maioria das vezes não causam dor e não necessitam de tratamento específico. Quando são dolorosos, no entanto, exigem investigação mais detalhada.

Outra característica própria do ballet é a posição em dehors (pernas giradas para fora). Os professores de ballet peconizam que se atinja 180 graus entre as duas pernas (90 graus em cada uma), com os pés alinhados entre si e voltados para fora; e que essa rotação seja de 70 graus no quadril, 15 graus no joelho e 5 graus no tornozelo. Como já foi dito, o movimento do quadril apresenta certa limitação óssea, e assim não há treino que faça com que o bailarino ganhe ainda mais rotação nessa parte do corpo. Diversos estudos mostram que dificilmente um bailarino atinge os 70 graus de rotação no quadril, mesmo aqueles que praticam o ballet profissionalmente. Desta forma, muitos tentam aumentar a rotação no joelho ou no pé para atingir os 90 graus, o que, além de ser esteticamente mais feio, dificulta os movimentos e pode levar ao desenvolvimento de lesões tanto no quadril como no joelho, no pé, no tornozelo ou mesmo na coluna.

Enfim, é importante respeitar os limites de cada um!

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